Clivagem Europeia

Reabrir discussões estéreis e sem resultados práticos como a da “Europa a várias velocidades” só serve para causar mais ruído.

As desastradas declarações do presidente do Eurogrupo acerca dos países que receberam apoio financeiro da União Europeia não passariam de um disparate revelador da menoridade do seu autor se não espelhassem um certo pensamento que se enraizou nos últimos anos entre parte das lideranças europeias.

As celebrações dos 60 anos da assinatura do Tratado de Roma não conseguem iludir uma crua realidade: a crise das dívidas soberanas consolidou uma clivagem entre o Norte e Sul da Europa. O Norte, liderado pela Alemanha, não está disposto a correr riscos internacionais que ponham em causa os seus cada vez mais frágeis equilíbrios políticos internos. Atrás da Alemanha, os seus satélites esforçam-se por ser “mais papistas do que o Papa”, numa atitude que põe a nu as fragilidades dos próprios Estados. Esta clivagem é uma das principais responsáveis pelo reforço dos partidos extremistas que, por sua vez, a alimentam, num ciclo que parece não ter fim.

Na nova Europa, aprendemos a sofrer com eleições que até há pouco nada nos diziam e a celebrar quando o candidato de um partido neo-fascista tem mais de 40% dos votos mas… não consegue ganhar. Nesta novo velho continente, regozijamo-nos pela vitória de candidatos com programas contaminados pela extrema-direita, porque, pelo menos, evitam que a versão original e assumida chegue ao poder. As eleições para o Parlamento Europeu, para as opiniões pública e publicada, não passam de meras sondagens sobre o que realmente importa: a distribuição de poder dentro dos Estados.

Leia o artigo completo no site d’O Jornal Económico.

European flag in Brandenburg Tor, Berlin. Photo by Rock Cohen / CC BY-SA 2.0

CC BY-NC-SA 4.0 This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.

Filipe Vasconcelos Romão

Associate Researcher at CEI-IUL. PhD in IR (Univ. Coimbra). Advanced Studies Diploma in International Politics and Conflict Resolution (Univ. Coimbra). Guest Professor at ISCTE-IUL. Professor at UAL. President of the Portugal – South Atlantic Commerce Chamber.

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