Os Censos Étnicos e o Racismo que não existe
O investigador do CEI-IUL, João Ferreira Dias, comenta num artigo de opinião publicado no Público, a sua visão sobre os próximo censos, em 2021, e a não inclusão de uma pergunta sobre a origem étnico-racial da população.
“Quando se silencia a questão étnico-racial dos censos (e o mesmo pode ser estendido, por exemplo, à questão da “orientação sexual”) o que se está a fazer é perpetuar a memória social instituída em torno de uma tipologia social imaginada.
As justificações apresentadas pelo INE para o chumbo à introdução da questão étnico-racial nos Censos de 2021 são tecnicamente aceitáveis, mas não traduzem o principal problema de fundo: a intencionalidade identitária. Ao escudar-se em questões técnicas para continuar a empurrar para o futuro uma verdadeira análise à pluralidade étnica nacional, o governo, por via do INE, prova estar arreigado, ainda, a uma memória histórica produzida ao longo de séculos no Ocidente e que teve na colonização a sua mais profunda experiência. As conceções cristãs em torno do inferno e dos cultos demoníacos encontraram em África terreno fértil para a elaboração das teorias do evolucionismo e do racismo biológico e cultural.”
Leia o artigo completo no site do Público.
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